A "SHEKINÁ" DE DEUS ESTÁ AQUI. "SHEKINÁ"?


É normal ouvirmos em nossos cultos, congressos, seminários, a palavra “Shekiná”. Desde adolescente ouço esta palavra na igreja. Pregadores a usam com freqüência. Os “ministros do louvor” têm o hábito de usá-la. Temos até um cântico muito conhecido: “Derrama a tua “shekiná” sobre nós.


Agora pergunto: De onde tiramos a palavra “shekiná”? O que significa esta palavra? Será “shekiná” uma expressão encontrada nas Escrituras?

Começando pela última pergunta, a palavra “shekiná” não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras! Penso que você neste momento está perplexo. Esses dias atrás, pregando em uma grande igreja aqui em São Paulo, falei sobre isto no púlpito e imagine a reação do plenário, bem como dos obreiros. Após o término do culto, várias pessoas me pararam e diziam: “Pr Marcelo, já ouvi “pregadores de renome” falar isso!Faz tantos anos que ouço todos falarem desta palavra “shekiná”, será mesmo que o sr. não está enganado?


Exatamente aqui reside nosso problema. Nós ouvimos os “grandes pregadores” falarem, e aceitamos tudo. Não procuramos pesquisar, averiguar, perscrutar. Tudo o que é novidade, e é falada por alguém de “peso”, nós aceitamos e logo começamos a falar. Falta em nosso meio, cristão bereanos, que analisam a cada dia as Escrituras, para verem se está correto ( At 17.11). Notemos que era Paulo que estava pregando! Homem de cultura invulgar, conhecedor de toda lei judaica, e acima de tudo, um dos maiores pregadores que o mundo conheceu. Ora, se Paulo teve que passar no crivo dos bereanos, o que dizer de nossos pregadores? Serão estes maiores que Paulo?

Mas voltando ao assunto da palavra “shekiná”, este vocábulo não aparece na Bíblia Judaica [ Tanakh] nem no N.T, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica -נ -כ- ש (sh-k-n), cujo significado é "habitar", "fazer morada". Se perguntarmos a qualquer irmão, o que significa esta palavra, todos dirão: "a glória de Deus, presença de Deus". Acontece que, “shekiná” não significa nada disso! O vocábulo “glória” no hebraico é “kavod” – o peso da glória de Deus.


A Shekiná, como uma idéia concreta, aparece só na literatura rabínica, havendo somente "alusões" a esta presença divina, no meio do povo de Israel, na Torá, quando Deus disse ao seu povo :

עָשׂוּ לִי מִקְדָּשׁ וְשָׁכַנְתִּי בְּתֹוכָֽם׃: Ve Asu Li Mikdash Ve Shakhanti Betocham


- "e fareis um santuário para Mim, e habitarei no meio deles (dos israelitas)"[1];"וְשָׁכַנְתִּיבְּנֵי יִשְׂרָאֵל, וְהָיִיתִי לָהֶם לֵאלֹהִים" - "e habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei-lhes por Deus"[2]; e יְהוָה צְבָאֹות הַשֹּׁכֵן בְּהַר צִיֹּֽון׃ "o Eterno dos exércitos, aquele que habita em Sião"[3].


Conclusão


בְּתוֹךְ

Vimos por meio deste singelo estudo que a palavra “shekiná” não está nas Sagradas Escrituras. Aprendemos também que “shekiná” não significa : glória, presença de Deus. Ela vem da raiz “shakhan” que significa – habitar, fazer morada. Esta idéia de “skekiná” aparece somente na literatura rabínica, onde os judeus cabalistas [4] começaram a usá-la a partir do séc XIII. Devemos estar sempre prontos a aprender e não ir além da Escritura. Foi o que Lutero disse para Erasmo: “ A única diferença entre eu [ Lutero] e você [Erasmo] é que eu me coloco debaixo da autoridade das Escrituras, e você se coloca acima dela.


No amor de Jesus, Pr Marcello de Oliveira.

Notas:


[1] Exodo 25.8
[2] Exodo 29.45
[3] Isaías 8.18
[4] Cabala é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (הלבק QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo.

(Eu acredito, e você?) - S e x t a‏



“Está escrito: Cri, por isso falei. Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos” II Coríntios 4.13 NVI (Nova Versão Internacional) II Carta de Paulo aos Coríntios (Eu acredito, e você?) Outro dia ouvi a seguinte expressão: “Estou vendendo do mesmo jeito que comprei”. Essa colocação não se trata de uma negociação material e quem a usou queria apenas dizer que estava retransmitindo certa mensagem da mesma forma que a recebeu. Porém fica claro, pelo uso de hoje em dia, que esse posicionamento não dá segurança para se ter como verdade a mensagem retransmitida, pois nem o emissor possuía tal confiança. Você é do tipo que simplesmente retransmite o que recebe? Literalmente falando, a expressão tem uma escrita coerente, ou seja, transmitir de forma integra o que se recebeu. E é neste sentido que o poeta (salmista) propõe outra colocação: “Cri, por isso falei” (Salmos 116.10). Esse deveria ser o verdadeiro sentido daquele ditado popular. O que tem transmitido às pessoas que lhe rodeiam? Paulo, ex-perseguidor dos cristãos, um dia foi confrontado pelo Evangelho de Cristo Jesus e percebeu que somente através do Senhor Jesus é que a “Verdade” verdadeiramente existe. A “Verdade” que liberta, que reconcilia o homem a Deus, que traz Paz ao coração do homem, que nos faz experimentar da Graça, é que motivou Paulo a seguir na divulgação da Palavra. Ele falava do que tinha recebido e experimentado, ou seja, do que tinha plena convicção que era genuíno e verdadeiro. Percebe? O Amor de Cristo é real para você? O que você tem feito da vida até aqui é um ótimo parâmetro para se avaliar se a Mensagem da Cruz realmente tem sentido para você. Essa Mensagem causou profunda mudança na vida de Paulo e de muitas outras pessoas ao longo da história. Hoje, essa Mensagem provoca mudança na minha vida também. Preciso viver diferente principalmente para mostrar ao mundo que a reconheço como Verdade. “Eu também cri”, por isso hoje venho até você desafiá-lo a avaliar sua convicção na Palavra de Deus. Para mim ela trouxe libertação e garanto que fará o mesmo para todo aquele que crê. Pense nisto. Boa S e x t a Postado por Hagton

(O que tem valor para você?) - Quinta‏


“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” II Coríntios 16.13-14 Thompson (Contemporânea) II Carta de Paulo aos Coríntios (O que tem valor para você?) Um tempo atrás houve um filme de aventura onde certo explorador saiu em busca de um artefato “sagrado”. Como na maioria dos filmes, um vilão tenta obter para si o artefato. Dentro da câmara “sagrada”, cheia de armadilhas, se deparam com um desafio bastante interessante. Eles não sabiam como era realmente o artefato e precisavam escolher um dentre as diversas peças expostas ali. A escolha errada significaria a morte! Quando falamos de “sagrado”, que critério você usa para descobrir o verdadeiro valor? Talvez assim como a maioria daqueles personagens do filme, provavelmente eu e você apontaríamos para o mais bonito, ou o maior, ou o que contivesse mais pedras preciosas, ou seja, o que tivesse maior valor “monetário”. O senso capitalista parece ter maior peso em nossas considerações e facilmente perdemos o que é “sagrado” para indicar o que é mais “vantajoso” (para nós é claro). No filme, o mocinho, discerne o contexto daquela história e conclui que o objeto mais valioso seria uma taça de barro, o objeto mais simples todos. Consegue ver “valor” em um objeto assim? É difícil! Certamente temos problemas para aceitar essas coisas e provavelmente são decisões assim que no dia-a-dia nos geram dúvidas quanto a nossa caminhada com Deus. O que é importante para você também o é para Deus? O apóstolo Paulo falava da preciosidade do Evangelho de Cristo e nos ensina que esse é o maior tesouro. O que impressiona nesta concepção é que o Senhor revelou, entregou, esse glorioso Tesouro em nossas mãos para retransmiti-lo ao nosso próximo, essa é nossa missão! Percebe? É assim que “taças de barro” (eu e você), sem gloria alguma, carrega aquilo que é Majestoso, aquilo que pode gerar vida e vida abundante. Sabe-se que era costume na antiguidade guardar tesouros em vasos de barro por segurança. E aqui aprendemos que essa é a forma de Deus agir em nosso meio. Ele usa a mim e a você, fracos e nada impressionantes aos olhos do mundo (quando permitimos a ação do Senhor é claro), para levar o que é mais precioso – a Salvação eterna. Essa Alegria que o mundo vê e não entende, essa Paz incompreensível e que tudo suporta, é a excelência de Deus derramada em vasos de barro (nós) através de Cristo Jesus. Se você já teve um encontro pessoal com o Senhor Jesus, então certamente você tem a maior de todas as missões nas mãos, gerar vida, e vida de Deus. Seja um vaso de bênçãos aonde Deus o colocou. Pense nisto. Boa Quinta
Hagton UMBET (www.umbet.org.br)

Unção do celular - Campanha das boas notícias


Por Leonardo Gonçalves

Se os cobradores ficam te aporrinhando o tempo todo no celular, e o seu estoque de desculpas esfarrapadas para enrolar os caras já está quase acabando, saiba que há uma solução para o teu problema!

A Igreja Universal do Reino de Deus garante: Não pagar os credores não é safadeza da sua parte; você é vítima de encoxto, o Exu do celular!

Quer se ver livre das cobranças? Traga o seu aparelho na IURD mais próxima da sua casa, que os pa$tores e bi$pos vão ungir seu aparelho com a "unção das boas notícias"!

Postado por Leonardo Gonçalves, denunciando os lobos cruéis no pulpito cristão 20/11/2009
video

Retirado do blog Apologética Cristã Bereianos


Fonte original da matéria abaixo: Revista Ultimato
edição Nº313 - Julho-Agosto 2008.



O sucesso de Edir Macedo é enorme. Trata-se de um fenômeno religioso sem igual. Em 30 anos, o modesto fluminense nascido em 1945 e convertido ao evangelho no Rio de Janeiro em 1964 fundou uma igreja neopentecostal que hoje tem quarenta luxuosas catedrais, mais de 4.700 templos e quase 10 mil pastores só no Brasil. Em média, a cada quinze dias, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) constrói um templo e transfere um dos seus obreiros para fora do país. É a maior distribuidora de Bíblias e uma das maiores locatárias do país (paga o aluguel de 8.806 imóveis). Já se estabeleceu em quase todos os países do globo e em alguns faz tanto sucesso como no Brasil. Na Argentina, a igreja tem cinco catedrais, mais de 150 templos, trezentos núcleos, duzentos pastores e 66 horas de programas de televisão por semana, além do jornal “El Universal”, com tiragem de 170 mil exemplares. A catedral de Guayaquil, no Equador, tem 7.500 metros de área construída e custou 8 milhões de dólares. A de Soweto, na África do Sul, ficou por 20 milhões. Em Portugal estão sendo construídas duas catedrais, uma em Lisboa e outra no Porto. Macedo pretende construir a mais arrojada catedral da Universal em um quarteirão de 28 mil metros quadrados no bairro do Brás, na cidade de São Paulo. Orçado em 200 milhões de reais, o templo terá dezoito andares e acomodará 13 mil fiéis assentados.

Além das atividades religiosas, a Universal tem construtoras, seguradoras, empresas de táxi aéreo, agências de turismo, mídia e consultorias, que geram 22 mil empregos diretos e mais de 60 mil indiretos.

O sucesso de Edir Macedo diz respeito também aos seus negócios particulares. Ele e a esposa são donos da Rádio Copacabana e da Record, a segunda maior rede de televisão do país, com 99 emissoras (próprias e afiliadas) e 6 mil funcionários, cujo valor deve estar na casa de 2 bilhões de dólares.

A grande pergunta que todo mundo faz à boca pequena, especialmente os evangélicos, é como entender o sucesso de Macedo. Seria indício da bênção de Deus em sua vida e obra? Seria o resultado do exercício tenaz da oração? Seria o fruto de um avivamento promovido pelo Espírito Santo? Essas três possibilidades enfrentam séria dificuldade em vista de certos ensinos, certos procedimentos e certos métodos da Universal, que agridem a pureza do evangelho de Jesus, todos relacionados principalmente com a teologia da prosperidade. Há que se considerar também o estranho sincretismo religioso abraçado pela IURD.

Outra possível explicação para o fenômeno poderia ser o estilo empresarial de Macedo, já exposto na reportagem "A igreja de Edir Macedo tornou-se um conglomerado que mescla religião, mídia, política e negócio " (edição de novembro/dezembro de 2007).

Levando-se em conta que Deus é o soberano Senhor sobre todos e sobre tudo, portanto o Senhor da história, pode-se até supor que Macedo seria o seu servo, o seu vassalo, o seu agente, um instrumento de juízo para provocar nas igrejas cristãs alguma resposta, alguma reação, alguma providência. Deus não chama o poderoso rei da Babilônia de “meu servo Nabucodonosor” (Jr 25.9)? Não diz sobre o poderoso rei da Pérsia que “ele é meu pastor e realizará tudo o que me agrada” (Is 44.28)?

A IURD é apenas a mais visível de todas as denominações cristãs que estão abraçando a infeliz teologia da prosperidade. Quase todas as igrejas neopentecostais e não poucas igrejas de linhas pentecostal e tradicional estão sendo perigosamente seduzidas por este movimento, nascido nos Estados Unidos no início do século 20
(veja Raízes históricas da teologia da prosperidade). Para satisfazer o público obcecado muito mais por seu próprio bem-estar material do que pela busca do reino de Deus (o que Jesus condenou no Sermão do Monte), muitas igrejas estão sendo tentadas a deixar de lado o evangelho original e abraçar o “outro evangelho” (Gl 1.16). Na verdade, as igrejas pentecostais e históricas não devem ficar impressionadas nem com o sucesso numérico nem com a grande visibilidade das igrejas neopentecostais. Jesus manda tomar mais cuidado com o alicerce do que com a casa em si. Sem esse alicerce cavado na rocha, que é Cristo, a casa mais cedo ou mais tarde cairá e sua queda fará “um barulho medonho” (Mt 7.27, BV). Uma das tentações a que Jesus foi submetido era, nas palavras de John Stott, “ganhar o mundo satisfazendo sua fome por meio de uma exposição sensacional do poder”. Jesus não transformou pedras em pães, não se jogou da parte mais alta do templo ao chão nem se curvou diante de Satanás para evitar a cruz e ganhar de lambuja “todos os reinos do mundo e o seu esplendor” (Mt 4.8). Stott diz ainda que “o Diabo adora nos persuadir de que os fins justificam os meios” (A Bíblia Toda, O Ano Todo, p. 177).

Nota

Os dados sobre Edir Macedo e a Universal foram retirados de “O Bispo — a história revelada de Edir Macedo” (Larousse, 2007).


As boas novas de Edir Macedo
e da teologia da prosperidade


As boas novas anunciadas pela Igreja Universal do Reino de Deus são formidáveis. Não há quem não se deixe atrair por elas. É por essa razão que a Universal é o maior fenômeno religioso dos últimos tempos.

Todavia, as boas novas de Edir Macedo não são exatamente as boas novas que foram anunciadas altas horas da noite aos pastores que apascentavam os seus rebanhos nas cercanias de Belém, no dia do nascimento de Jesus. Aos aterrorizados homens do campo, o anjo declarou: “Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11).

Encabeçados pelo bispo maior, os bispos e os pastores da Universal estão apresentando ao povo, pelo púlpito, pelas sessões de descarrego, pela televisão, pelas emissoras de rádio e por meio de seus periódicos e livros, o “Jesus errado”, nas palavras do pastor Israel Belo de Azevedo, diretor do Seminário Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro.

“Há pessoas se relacionando com o Jesus que se ama enquanto se precisa dele. Quantas pessoas vêm a todos os cultos da igreja, até do meio da semana, e desaparecem depois que recebem de Jesus o que buscavam. [...] Quem busca a Jesus por causa dos milagres não sabe quem é Jesus. Pois ele disse: ‘Eu sou o pão vivo que desce do céu. Se alguém comer desse pão, viverá para sempre’ (Jo 6.51)”.1

“Enquanto algumas pessoas espiritualizam o evangelho, como se ele oferecesse somente salvação do pecado, outros politizam o evangelho, como se ele oferecesse somente libertação da opressão” (John Stott).2

O que acontece com a Universal e, não raro, com outras igrejas neopentecostais comprometidas com a teologia da prosperidade, é que elas enfatizam a parte egoísta do evangelho, a libertação da opressão da miséria, da fome, do desemprego, da bancarrota, da doença, da depressão, das crises matrimoniais etc. O próprio Edir Macedo explica: “Somos um pronto-socorro”.3

As boas novas do bispo estimulam o materialismo e o malfadado consumismo, e destroem o estilo de vida simples que o evangelho apregoa. Por culpa dessas “boas novas” e de outras, provavelmente em nenhuma outra ocasião da história Jesus tenha descido tanto do seu pedestal de direito e de origem como agora. Esse desvio amplo e sorrateiro pode ser visto na denúncia de Belo de Azevedo:

“Há um produto circulando por aí: você quer saber viver? Siga os ensinos da moralidade e da sabedoria deixados por Jesus. Você quer aprender como liderar? Aprenda com Jesus, o maior administrador de empresas do mundo. Você quer conhecer a si mesmo? Aprenda com Jesus, o maior psicólogo de todos os tempos. Quem se interessa por Jesus em função apenas dos seus ensinos não sabe quem é Jesus. Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 4.13-14)”.4

O povo não quer saber nada de pecado, arrependimento, conversão, porta estreita, caminho apertado, poucos companheiros, auto-negação, amor e doação de si mesmo ao próximo nem de muitos outros valores básicos do cristianismo. Mas cristianismo sem cruz não existe. Jesus descreveu enfaticamente a obra do Espírito Santo: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Assim sendo, nada mais oportuno e mais fadado ao sucesso do que a pregação de outras boas novas. O senador Marcelo Crivella, também bispo da Universal, afirma que Edir Macedo “nunca aceitou ensinar o povo a cantar ‘eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré’”.5

Na verdade, a IURD não seria a potência que é se pregasse as boas novas originais em sua totalidade. Nem levantaria o dinheiro que arrecada na forma de dízimos e ofertas, como o próprio Edir Macedo admite: “Qualquer pessoa que chega à igreja e é abençoada, mais ela dá. Se você fosse e recebesse, não daria?”.6 A Universal é a principal responsável pela popularização do dízimo mercenário, aquela contribuição dada somente por causa do retorno. Para Macedo, o fiel que precisa de alguma bênção ou algum milagre tem duas opções: “Ou a pessoa dá ou não recebe”.7


Notas

1. “Revista Enfoque”, maio 2008, p. 32.
2. “A Bíblia Toda, O Ano Todo ”, p. 179.
3. “O Bispo”, p. 136.
4. “Revista Enfoque”, maio 2008, p. 53.
5. “O Bispo”, p. 123.
6. “Idem”, p. 201.
7. “Idem”, p. 202.




Duas atitudes inacreditáveis:
a pregação interesseira e a magnanimidade de Paulo



Desde o início, desde Paulo, desde a metade do primeiro século até hoje, o início do século 21, alguns cristãos pregam a Cristo não “por motivo puro”, “não por reta intenção”, “não por honestidade ou sinceridade”, mas “por ambição egoísta”, “por briga”, “por discórdia”, “por espírito de competição”, “por interesse pessoal”, “por intriga”, “por inveja”, “por partidarismo”, “por polêmica”, “por porfia” ou “por rivalidade”. Fazem assim porque “são ciumentos e briguentos”. Tudo isso está na Epístola de Paulo aos Filipenses (1.15-17).

Mais inacreditável ainda é que o rigoroso apóstolo mostra-se extremamente longânimo diante de tamanho absurdo: “Isso não tem importância. O que importa é que Cristo está sendo anunciado, seja por maus ou por bons motivos. Por isso estou alegre e vou continuar assim” (Fp 1.8, NTLH).

Esta passagem bíblica, que merece todo respeito, parece proibir o que Ultimato está fazendo na matéria de capa desta edição. Já que à porta de cada catedral, templo ou sala alugada da IURD anuncia-se a Cristo por meio da expressão “Jesus Cristo é o Senhor”, retirada da mesma Epístola de Paulo aos Filipenses (2.11), a revista não deveria criticar Edir Macedo nem qualquer outro pregador da teologia da prosperidade.

Não é bem assim. Paulo não ficaria quieto nem manso diante do “evangelho da saúde e da prosperidade” (um dos nomes da teologia da prosperidade). O que estava em jogo no caso mencionado por Paulo é a falta de intenção pura da parte daqueles evangelistas que pregavam a Cristo por interesse pessoal. O que está em jogo no caso dos pregadores da teologia da prosperidade é que eles pregam um evangelho diferente daquele que os primeiros cristãos ouviram e aceitaram. Nesse terreno, Paulo é indobrável: “Se alguém, mesmo que sejamos nós ou um anjo do céu, anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que temos anunciado, que seja amaldiçoado!” (Gl 1.8).

De sobra, além de pregar o evangelho original, os “ganhadores de almas” de qualquer denominação histórica e pentecostal deveriam descobrir a sua verdadeira motivação e experimentar uma mudança radical, caso estejam pregando por espírito de competição, de rivalidade, de intriga, de partidarismo! Deus será grandemente glorificado depois desse acontecimento!



O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz
sobre riqueza e pobreza



Edir Macedo diz:

“A Igreja Católica sempre impregnou na cabeça das pessoas que riqueza é coisa do mal e que pobreza é boa. Eles querem que eu pregue a “teologia da miséria”? [...] O objetivo (de construir catedrais) é abrir a cabeça do pobre que dá oferta. Na sua casa, ele senta no sofá rasgado ou até no chão. Na Igreja ele é honrado. Tem o direito de sentar numa cadeira estofada, com ar-condicionado, usar um banheiro limpo. Recebe um atendimento exemplar. Eu quero mostrar que ele é capaz de conquistar coisas grandes, uma vida melhor. Algo como dizer: ‘Veja a grandeza de Deus. Sua casa é um barraco. Olha o que Deus pode fazer. A Igreja Universal também começou em um barraco, mas olha como está hoje. Você precisa investir nesse Deus’” (“O Bispo”, p. 208, 211).


A Bíblia diz:

A frase do bispo Macedo soa simpática ao pobre e se parece com a fé de que a pobreza se resolve no relacionamento particular com Deus, na prática de uma fé pessoal. A Igreja Universal não foi a primeira a construir catedrais. Toda confissão religiosa parece ter uma visão de que Deus se agrada da riqueza. No Antigo Testamento temos duas construções milionárias. O que está em pauta, portanto, não é a construção de catedrais, porque essa prática é milenar, transcultural e transreligiosa. A questão é a natureza da pobreza. Seria resultado de um insuficiente relacionamento com Deus, algo como falta de fé? Portanto, uma questão espiritual? Significaria que quem é rico (não se contempla aqui a questão da origem da riqueza, mas a simples posse da mesma), independente da relação que tem com Deus, é uma pessoa abençoada? É de se supor que haja gente rica que não tenha relacionamento algum com Deus.

A Bíblia fala do pobre e da pobreza. Em Deuteronômio 15.4, Deus dá orientações para que não haja pobre entre o povo de Israel. E a solução apresentada é de ordem econômica. Deus exige que a cada sete anos as dívidas sejam perdoadas sem cobrança de juros, para que não existam pobres. A causa apontada (nesse contexto) para a existência da pobreza também é de ordem econômica: o endividamento.

Em Levítico 25.10-55, Deus proclama o Jubileu, uma série de medidas econômicas limitando o direito à propriedade, assim como o direito de explorar o trabalho alheio. Era um modo de evitar a pobreza, sanando a situação a cada cinqüenta anos, uma vez que a cada cinco décadas a sociedade voltava ao estado de igualdade. Mais uma vez a pobreza é relacionada com questões de ordem econômica, e o Jubileu é um modelo econômico de reordenamento das relações, de modo a erradicar a causa da pobreza, que nesse contexto era a perda da posse da terra.

Desde a promulgação de sua lei, e diante da desobediência à mesma, Deus vem estabelecendo práticas para que o pobre não seja desamparado, a fim de que a sociedade se aproxime do estado de igualdade.

Há a pobreza fruto de má administração, ou de irresponsabilidade, ou de desobediência ao Senhor. O livro de Provérbios está repleto dessas advertências, mas elas têm caráter pessoal e extemporâneo, sem cair no reducionismo de classificar a pobreza como resultado destes atos particulares.

Em Provérbios encontramos também uma série de advertências contra a exploração do pobre, assim como a orientação de que se deve cuidar dele e buscar a sua emancipação.

No Novo Testamento a busca pela erradicação da pobreza continua. É o que se vê na proposta de sociedade que se pode abstrair da fala de Jesus Cristo: “Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Mc 10.42-45, NTLH).

Jesus Cristo preconizou uma nova sociedade, cujo poder governamental seja exercido por meio do serviço a todos. Trata-se de uma sociedade em que todos sejam cidadãos, pois só numa sociedade em que o governo assume a sua vocação de servo de todos é que a cidadania floresce.

Na sociedade do Cristo, o poder deve ser exercido dessa forma para que ela seja um espaço em que:

-- o uso da terra seja regulamentado tendo em vista o bem de todos, pois Deus não admite que alguém possa comprar casa sobre casa e terra sobre terra até ser o único morador do lugar (Is 5.8). Na sociedade do Cristo a terra tem de ser repartida entre todos, pois é para todos;

-- a riqueza seja distribuída com eqüidade, pois Deus quer que quem colheu demais não tenha sobrando, e quem colheu de menos não tenha faltando (2Co 8.15); haja consciência de coletividade; o imposto seja um instrumento legítimo de distribuição de renda;

-- o trabalhador usufrua da riqueza que produz, pois ele é digno de seu salário (Lc 10.7). Não se pode amordaçar o boi que debulha o milho (1Tm 5.18), isto é, aquele que produz deve ser o primeiro a usufruir do que produziu. Esta seria uma sociedade de trabalhadores para trabalhadores;

-- a criança tenha prioridade, pois Deus não quer que nenhum dos pequeninos se perca e ameaça com duras penas a sociedade que desviar as crianças de sua vocação divina: vocação à saúde, à educação, à segurança, à longevidade, ao emprego, enfim, a uma vida que possa ser celebrada;

-- os órfãos e as viúvas, isto é, os que tudo perderam, não fiquem desamparados; ao contrário, parte da produção deve ser destinada exclusivamente para estes, para que não haja miséria na sociedade. Trata-se de uma sociedade em que todos desfrutem do direito à dignidade; uma sociedade de cidadãos, pois só onde há dignidade há cidadania.

-- o idoso seja referencial de sabedoria, nunca um fardo, pois na Bíblia ele é o conselheiro que ajuda o jovem na sua caminhada e por este é visto como um mentor, como guardião dos valores que devem nortear a sociedade, como alguém que deve ser honrado, o cidadão por excelência, pois construiu e legou para as gerações que o sucedem.

Na sociedade preconizada por Cristo o conjunto de cidadãos é o estado, e todos são cidadãos. Por isso, o governo estaria a serviço de todos, o que significa estar sob o controle da cidadania. Assim, os direitos humanos seriam respeitados. E onde os direitos humanos são respeitados há previdência, isto é, o futuro do cidadão estaria assegurado; ele seria o beneficiário da riqueza que produziu. E previdência seria um conceito que abrangeria não apenas a saúde ou a velhice, mas a educação, a segurança, o emprego, o lazer, enfim, tudo o que dá qualidade à vida. Nessa sociedade, o governo seria um agente previdenciário, e o futuro seria, não algo que quanto mais remoto melhor, mas uma sucessão de presentes, em que cada dia traria a garantia de um futuro assegurado.

A pobreza é uma questão econômica e que tem de ser resolvida por via econômica, o que se logrará quando as proposições de Deus forem ouvidas.


Ariovaldo Ramos é pastor na Comunidade Cristã Reformada e na Igreja Batista de Água Branca, ambas em São Paulo.



O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz
sobre os dízimos e ofertas



Edir Macedo diz:

“As pessoas não devem dar ofertas para ajudar a igreja, mas para ajudar a si próprias. Quando dá está fazendo um investimento para si, na sua vida. É o que mostra a Bíblia. Quem dá tudo recebe tudo de Deus. É inevitável. É toma lá, dá cá [...]. Quando alguém faz um sacrifício financeiro, Deus fica sem opção. Ele tem a obrigação de responder, porque é sua promessa. É a fé. Basta seguir o que Deus disse: ‘Provai-me nos dízimos e nas ofertas’” (“O Bispo”, 2007, p. 207, 215).


A Bíblia diz:

A entrega de dízimos, ofertas e outras formas de contribuições financeiras é uma prática comum entre as igrejas cristãs ao longo dos anos. O dinheiro não é o assunto mais importante da vida cristã, mas a maneira como o crente lida com ele determina sua resposta em outras questões da vida (Lc 16.10-12). O cristão amadurecido não se deixará escravizar pela avareza e pelo apego ao dinheiro a ponto de ser mesquinho em seu compromisso com a igreja. Ao mesmo tempo, esse cristão não se deixará iludir pela presunção de que seu relacionamento com Deus é pautado pela barganha, pois as bênçãos de Deus não são negociadas.

No Antigo Testamento, a entrega do dízimo baseava-se na convicção teológica de que o Senhor é o dono de toda a terra, o doador e o preservador da vida (Sl 24). O dízimo era santo ao Senhor e sua entrega seria uma demonstração prática do reconhecimento da soberania de Deus sobre a terra, seus frutos e a própria vida do ofertante. Ao mesmo tempo, a entrega dos dízimos era a expressão prática da gratidão a Deus por suas bênçãos e generosidade para com a nação israelita. Logo, aquele ato tinha significado cúltico e ocorria em cerimônias acompanhadas de intensa celebração e adoração a Deus (Dt 12.5-19). A retenção do dízimo, porém, não estava sujeita às mesmas penalidades legais provenientes da desobediência civil da lei, como exclusão social e apedrejamento. A infidelidade do povo seria disciplinada por Deus por meio de catástrofes sociais e econômicas.

Há que se notar ainda que a entrega dos dízimos era tão central à vida da nação de Israel que Neemias a restituiu tão logo o povo foi liberto do cativeiro babilônico (Ne 13.10-14). A desobediência dessa prática, de acordo com o profeta Malaquias, equivalia ao pecado de roubar a Deus (Ml 3.6-12).

Além dos dízimos, a lei mosaica prescrevia outros tipos de contribuições, como era o caso das ofertas das primícias e das ofertas alçadas (Êx 23.16, 19; 34.22-26). Essas ofertas deveriam atender ao princípio da proporcionalidade, pois eram dadas segundo a bênção do Senhor sobre os ofertantes (Dt 16.10). Segundo as normas para essas contribuições, as ofertas das primícias eram especialmente apresentadas durante a Festa das Semanas, também chamada de Pentecoste ou Festa das Primícias, por ser realizada cerca de cinqüenta dias após a Páscoa e por coincidir com os primeiros frutos da colheita anual em Israel (Nm 28.26). Parte dessas ofertas era dedicada ao sustento do pobre, do órfão e da viúva; outra parte, à realização de uma ceia comum; e ainda uma terceira parte destinava-se ao sustento dos sacerdotes. Enquanto o dízimo era anual e trienal, as ofertas poderiam ser entregues em várias ocasiões do ano, especialmente na época das colheitas ou eventos festivos. Tanto os dízimos como as ofertas eram entregues em reconhecimento da soberania e generosidade de Deus para com a nação de Israel (Dt 26.1s).

É verdade que o Novo Testamento não apresenta diretrizes claras sobre a entrega do dízimo pelos cristãos e esse fator é, no mínimo, surpreendente. Há três referências ao dízimo nos Evangelhos, e elas devem ser analisadas em seus contextos respectivos. A primeira encontra-se na parábola do fariseu e o publicano, na qual o fariseu se orgulhava de entregar o dízimo de tudo quanto ganhava (Lc 18.9-14). Ao contar essa parábola o propósito de Jesus foi condenar a atitude daqueles que “confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (v.9). Dessa forma, o que foi condenado na parábola não foi a prática da entrega do dízimo, mas o fato de o fariseu depender de sua justiça própria em vez de apelar para a graça e misericórdia de Deus.

A segunda referência ao dízimo nos Evangelhos está em Mateus 23.23 ou no texto paralelo de Lucas 11.42. Nesses versículos Jesus também faz referência a uma prática comum dos escribas e fariseus, que pareciam extremamente zelosos quanto à obediência dos aspectos mínimos da lei (dar o dízimo da arruda e do cominho), mas negligenciavam a prática da misericórdia, da justiça e da fé. Jesus os reprovou dizendo que deveriam “fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” Na verdade, Jesus não censura os fariseus por darem o dízimo, mas por julgarem que o dízimo substituía a base real de seu relacionamento com Deus. Jesus condenou os fariseus e escribas por sua hipocrisia, e não pela prática da entrega dos dízimos.

O Novo Testamento é repleto de diretrizes a respeito das contribuições financeiras na igreja primitiva. Em primeiro lugar, há o registro de contribuições com o objetivo de auxiliar os necessitados na igreja. Em Atos há vários relatos sobre o compartilhamento de posses com o objetivo de atender aos necessitados na igreja (At 2.45; 4.34, 36-37). A primeira eleição de diáconos teve o propósito de promover certa assistência material a alguns menos favorecidos (At 6.1-6). A prática de cuidar dos necessitados tornou-se comum entre os cristãos a ponto de Paulo exortar os membros de uma igreja gentílica, Éfeso, a trabalharem para terem “com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28). Assim, a igreja primitiva incentivava contribuição para auxílio dos seus membros.

A prática sistemática da contribuição financeira no cristianismo primitivo que mais se aproxima da entrega do dízimo é aquela descrita como uma coleta a favor dos santos (1Co 16.1-3; 2Co 8-9). É importante observar que alguns cristãos receberam a exortação de Paulo com alegria e interpretaram a contribuição como um privilégio (2Co 8.4). Aquela coleta foi incluída na liturgia da igreja de Corinto (1Co 16.1-2) e deveria ser interpretada como uma expressão de generosidade, gratidão e adoração a Deus (2Co 9.10-13). Em outra ocasião, Paulo insistiu que aquela prática fosse interpretada como um ato de obediência ao evangelho de Cristo (2Co 9.13). Deve-se considerar o aspecto sistemático e o planejamento envolvido naquela coleta, a ponto de Paulo afirmar que a igreja de Corinto estava preparada havia um ano para fazê-la (1Co 16.1,2; 2Co 9.1-2). Por último, aquela contribuição seria proporcional, conforme a prosperidade do contribuinte (1Co 16.2). Dessa forma, todos os cristãos contribuiriam de forma igual, não em valor, mas no percentual.

Concluindo, a perspectiva do bispo Macedo sobre contribuições cristãs contraria o ensino das Escrituras sobre esse assunto. Segundo a Bíblia, o objetivo da contribuição do crente não é para ajudar a ele mesmo, mas para expressar sua gratidão a Deus, bem como o reconhecimento de que todo o seu sustento vem do Senhor. Sua interpretação de que o texto de Malaquias 3.10 — “provai-me nos dízimos e nas ofertas” — seja uma promessa que deixa Deus sem opção se parece mais com a doutrina espírita da “causa” e “efeito”. Somente o entendimento espírita do “toma lá, dá cá” justificaria semelhante interpretação. A contribuição cristã deve ainda ter o objetivo de ajudar os irmãos na fé, e neste sentido a igreja é fortalecida. Por último, a perspectiva bíblica sobre contribuição não tem a natureza comercial que o bispo defende. O Deus que se revela nas Escrituras nunca pode ficar refém do contribuinte, pois este não lhe faz favor algum.


Valdeci da Silva Santos é pastor da Igreja Evangélica Suíça e professor no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo.


O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz sobre o aborto


Edir Macedo diz:

“Sou a favor do direito de escolha da mulher. Em casos como estupro, má-formação do feto ou quando a vida da mãe está comprovadamente ameaçada pela gestação, não há o que discutir. Sou a favor do aborto, sim. A Bíblia também é. Olhe só [Ec 6.3]: ‘Se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele’ [...] O Brasil deveria se unir pelo direito da mulher de optar pelo aborto [...] Certamente grande parte de nossas mazelas sociais diminuiria. Pense comigo: é melhor a mulher não ter filhos ou ter e jogar o bebê na lata do lixo? [...] Vamos ser frios e racionais: é preferível a criança não vir ao mundo ou vê-la nos lixões catando lixo para sobreviver? Eu creio na Bíblia. Nesses casos, eu credito que o aborto é melhor do que nascer. A mulher precisa ter o direito de escolher” (“O Bispo”, 2007, p. 223).


A Bíblia diz:

O bispo Macedo influencia milhões de brasileiros através do poder midiático, por ser tido como ministro da Palavra de Deus. Poderia contribuir para uma cultura de vida, justiça, paz e de solidariedade simplesmente sendo fiel ao que as Escrituras expõem. Mas, quando admite, ensina e estimula uma prática elástica do aborto, como sendo uma questão de direito de opção da mulher, se alia às forças da anti-vida que saem das trevas e obscurecem a razão, insensibilizam corações e tornam nosso mundo cada vez mais cínico, frio, sem alma. Muitas legislações, apoiadas por eminentes teólogos, mesmo reafirmando a primazia do direito à vida, admitem o aborto em casos excepcionais, como em gravidez decorrente de estupro ou quando há indiscutível risco de vida para a mãe. Outra excepcionalidade que envolve muita polêmica entre peritos trata do estatuto do feto com má-formação. Estas três situações são objeto de controvérsia por envolver limites éticos e científicos e não podem ser uma questão fechada prematuramente. Envolvem demasiado sofrimento e requerem decisões de comitês de ética. Mas o que espanta é Macedo sacar a Bíblia como arma de morte. Faz uma apropriação indébita do texto de Eclesiastes (6.3), forçando-o a dizer o que não diz, mas o que Macedo deseja dizer. Isto não é “exegese”, e sim “eixegese”, violência ao texto.

A passagem bíblica em questão, em seu contexto, é como uma sátira, uma ilustração da pobreza do dinheiro em satisfazer plenamente ou espiritualmente uma pessoa. Em todo o capítulo 5 o sábio alerta sobre sua frágil base. Na maioria das vezes é mal repartido (5.9), dilapidado por estranhos (5.10). Mesmo que você disponha de riqueza, bens e honra (6.1,2), um estranho poderá desfrutá-los em seu lugar (6.2) e você acaba ficando com sofrimento. Imaginemos alguém com muitos bens, filhos e tempo de vida, ou seja, com todas as condições para desfrutar da existência e mesmo assim não a desfruta, e chega até a morrer em miséria e ficar insepulto. Temos aqui o alerta sobre o absurdo de depender de coisas, de trabalhar em vão, sendo infeliz pelo impasse de sentido e vazio existencial. Assim, até um não-nascido, um aborto, de fato é mais feliz por nunca vir a sofrer tais absurdos. Mas o texto jamais legitima o aborto.

Macedo é coerente com sua pregação segundo o espírito do capitalismo, atuando como os que transformam tudo em mercadoria avaliada pelo valor utilitário. Tratar questões humanas desta forma resulta num tipo de eugenia já praticada por déspotas sanguinários em busca de tipos ideais, com descarte dos deficientes e não-competitivos. É chocante sua afirmação sobre a razoabilidade do aborto como prática preferível ao abandono ou morte de bebês, ou como medida desejável para melhorar os indicadores socioeconômicos! Heil Hitler! Ave César! Viva Herodes!

Não conceder ao embrião abrigado no útero o direito de desenvolvimento pleno, por razões de conveniência e ordem utilitária e subjetivista, é negar a ordem natural da vida, é reforçar a pulsão de morte. A onda abortista é parte de uma cultura de dessacralização do corpo, de banalização do sexo, de afirmação ética narcisista, primado do gozo individual. O estímulo a qualquer forma de gozo sexual, com qualquer parceiro ou parceira, sem perguntas incômodas, é massivamente incutido na população e defendido por políticas públicas preocupadas apenas com a assepsia física. O que exige compromisso e permanência é exorcizado por indivíduos infantilizados que não assumem a plenitude de seus gestos. Nega-se a conexão da sexualidade com uma potencial gestação, fazendo o corpo negar a alma. Quando acontece uma gravidez, afirma-se, então, não se estar preparado para assumi-la; era apenas sexo esportivo, esqueceu-se a camisinha, enfim, algo deu “errado”! E que falácia o argumento que pretende considerar o feto como parte do corpo da mulher! O ainda não-nascido é sabidamente um outro ser. Mulheres que abortam voluntariamente ou por pressão do macho fujão não estarão livres de questionamentos da consciência, nem de lembranças, sonhos e sentimentos de perda. Quase sempre o aborto é vivenciado como trauma e compromete a auto-estima. De fato, a gestante é, arquetipicamente, guardiã da vida e qualquer violação deste princípio resulta em sofrimento; portanto, ela deve receber todo apoio do genitor masculino, de familiares e da rede social.

É sabido que grávidas abandonadas por parceiros e decididas a abortar, quando apoiadas por amigas e instituições, em sua maioria decidem manter a gestação; portanto, é digno de louvor o trabalho samaritano do Cervi (Centro de Reestruturação para a Vida, www.cervi.org.br), em São Paulo, e abrigos do Exército de Salvação e da Igreja Católica, que oferecem apoio social, psicológico e médico, revertendo situações de desespero. Já nos primeiros documentos da Igreja cristã, o Didaquê, temos ensinamentos de defesa da vida intra-uterina. Reconhecer que o humano procede do humano, desde o instante da fecundação e em contínua evolução, é a base ética mínima que protege a possibilidade e a dignidade da existência. A própria justificativa para utilização de células-tronco com vistas a salvar ou curar outras vidas tem por base este “continuum”. Segundo o poeta bíblico, Deus tece o ser humano no ventre de uma mulher (Sl 139.13-16). Quem ousará interromper sua obra? A razão bíblica — a lógica do Espírito e a ação de Cristo — defendem a vida em todas as suas formas e fases. Se nossa civilização acorda, ainda que tardiamente, para a questão ambiental e esforços são feitos para a defesa de peixes, animais e florestas em extinção, quanto mais a espécie humana merece igual dignidade e proteção! Que loucura é esta reduzir o humano a um mero aglomerado de células sujeito ao capricho humoral de alguém?

Finalmente respondo ao bispo que o melhor é caminhar no espírito de Jesus. Nos casos já consumados, seguramente ele acolheria graciosamente uma mulher que cometeu aborto e diria algo como “não te condeno, mas veja que não peques”. Quem imagina Jesus aconselhando alguém a abortar, ele que é a ressurreição e a vida?


Ageu Heringer Lisboa, psicólogo e terapeuta familiar, é mestre em ciências da religião. É autor de Sexo: Espiritualidade, Instituto e Cultura (Editora Ultimato).




Hananias, o mago da prosperidade


Enquanto o Espírito Santo procura convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), certos pregadores apregoam a teologia da prosperidade.

O problema não é de hoje. É multissecular. O profeta Jeremias fazia o que podia para convencer os reis e o povo de Israel da famosa tríade que estava para chegar a qualquer momento: a guerra, a fome e a peste (Jr 14.12; 21.7; 24.10; 27.8; 29.17; 32.24; 34.17; 38.2; 42.17; 44.13). Enquanto isso, o profeta Hananias, no mesmo lugar e para o mesmo público, profetizava “prosperidade” (Jr 28.9, NVI e BP), ou “paz” (NTLH, ARA e BV), ou “felicidade” (Tradução da CNBB). Um e outro usavam a mesma introdução: “Assim diz o Senhor”.

Uma das notas de rodapé da Edição Pastoral Catequética explica: “Os falsos profetas lisonjeiam habitualmente o povo mediante promessas de prosperidade”. Outra nota, desta vez da Edição Pastoral, reforça: “Hananias é um falso profeta que recorre à demagogia, procurando dizer o que os ouvintes ‘gostam’ de ouvir e não aquilo que o povo ‘precisa’ ouvir”. Uma terceira nota de rodapé insiste: “[A prosperidade é] em geral a mensagem dos falsos profetas” (Bíblia de Estudos da NVI).

Jeremias não é o único profeta impopular da história de Israel. Todo verdadeiro profeta, por uma questão de compromisso, quase sempre diz o que não agrada. Mas sempre diz a verdade!



O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz sobre cura


Edir Macedo diz:

“A tradição religiosa ensina que devemos pedir todas as coisas dizendo ‘se for da vontade de Deus’. Conseqüentemente, poucas pessoas têm experimentado milagres de cura. Parece contraditório, mas a realidade é que muitos cristãos, e até pastores, acreditam que ‘talvez não seja da vontade de Deus curar’. Isso é diabólico, falso, abominável”. (“Folha Universal”, 4/05/08, p. 3.)


A Bíblia diz:

A nossa vontade nem sempre coincide com a vontade de Deus e a vontade de Deus deve ser levada a sério. Na oração modelo, o Senhor Jesus mesmo coloca em nossos lábios o respeito pela soberania de Deus: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). O próprio Jesus, em sua tremenda agonia no Getsêmani, três vezes seguidas suplicou a suspensão do cálice do sofrimento sem abrir mão da submissão devida a Deus: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mt 26.39). Mesmo convencido várias vezes pelo Espírito de que passaria por prisões e sofrimentos em Jerusalém (At 20.22-24), o que foi confirmado dramaticamente por um profeta chamado Ágabo, o apóstolo Paulo não desistiu da viagem, apesar do pedido de Lucas e dos crentes de Cesaréia, que acabaram descobrindo que essa era a vontade de Deus (At 21.10-14).

A Bíblia diz que Davi já havia se arrependido do seu adultério e que a mão do Senhor já não pesava mais dia e noite sobre a sua cabeça (Sl 32.1-5), quando seu jejum e oração chorosos em favor da criancinha gravemente enferma não foram atendidos (2Sm 12.15-23).

Havia muitos leprosos em Israel (povo eleito) no tempo de Eliseu, todavia nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o gentio (Lc 4.27).

Timóteo era um homem doente. É Paulo quem nos dá esta informação: “Tome um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas freqüentes enfermidades” (1Tm 5.23). Ora, será que sua avó Lóide, sua mãe Eunice, os presbíteros da igreja, Paulo (seu pai na fé e tutor eclesiástico) e ele mesmo, todos crentes, não oravam por sua cura?

Paulo foi obrigado a deixar Trófimo em Mileto, porque ele havia adoecido (2Tm 4.20). Cabe aqui a mesma pergunta: será que Paulo, os demais companheiros de viagem, a igreja de Mileto e o próprio Trófimo não clamaram em favor de cura?

É certo que a Bíblia encoraja a oração em favor dos doentes. É uma das obrigações da igreja, nem sempre levada avante: “Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado” (Tg 5.14-15). Mas nem sempre o doente é levantado por Deus, não por falta de fé nem por ter cometido algum pecado não confessado. Muitos cristãos notáveis por este mundo afora adoecem, permanecem doentes e morrem.

A soberania de Deus tem que ser levada em conta. Ou será que a igreja primitiva não orou em favor de Estêvão, que foi apedrejado (At 7.54-59), nem de Tiago, irmão de João, que foi decapitado (At 12.1-2)? Será que ela só intercedeu em favor de Pedro, que foi milagrosamente libertado da prisão (At 12.3-19)?

Sindicato de mágicos
Acha-se disponível no Portal Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) a tese de doutorado em História Social intitulada “Sindicato de Mágicos: Uma História Cultural da Igreja Universal do Reino de Deus”, defendida em 2007 na Universidade Estadual Paulista (UNESP). A autoria é de Wander de Lara Proença, 38, professor de história do cristianismo, movimentos religiosos contemporâneos e Novo Testamento na Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina, PR.


Fonte original da matéria acima: Revista Ultimato, edição Nº313 - Julho-Agosto 2008. Na íntegra: www.ultimato.com.br
"Se os líderes das mega-igrejas vendessem seus bens e usassem para a evangelização e assistência aos missionários, em poucos dias o mundo seria evangelizado." At 2:45 / mt 19:16-30 (Ruy Marinho)

Confiança no amor de Deus


Confiança no amor de Deus

SALMOS 13.1-6
Salmo de Davi. Ao regente do coro.

Ó SENHOR Deus, até quando esquecerás de mim? Será para sempre? Por quanto tempo esconderás de mim o teurosto? Até quando terei de suportar este sofrimento? Até quando o meu coração se encherá dia e noite de tristeza? Até quando os meus inimigos me vencerão? Ó SENHOR, meu Deus, olha para mim e responde-me! Dá-me forças novamente para que eu não morra. Assim os meus inimigos não poderão se alegrar com a minha desgraça, nem poderão dizer: "Nós o derrotamos!" Eu confio no teu amor. O meu coração ficará alegre, pois tu me salvarás. E, porque tens sido bom para mim, cantarei hinos a ti, ó SENHOR.

(O Cheiro da Salvação) - Terça‏



“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do Seu conhecimento”

II Coríntios 2.14 Genebra (Revista e Atualizada)

II Carta de Paulo aos Coríntios (O Cheiro da Salvação)

Você já assistiu desenhos do pica-pau? Outro dia vi que ainda passa em certo canal da TV, porém não achei tão legal quanto era na “minha época”. Os desenhos antigamente pareciam ser mais engraçados e mais infantis. O personagem continua com um perfil malandro e às vezes maldoso!

Em um dos desenhos, um aroma, um cheiro (deveria ser de comida ou perfume), dominava o pica-pau e o envolvia. O cheiro tinha forma de mãos, que acariciavam o pica-pau e o conduzia flutuando até a fonte. Consegue lembrar? Era interessantíssimo e muito engraçado o poder daquele cheiro sobre o pica-pau.

No versículo de hoje o apóstolo Paulo fala de uma Fragrância também. Usando de uma metáfora, o apóstolo fala de um Cheiro que tem poder para conduzir vidas até a Fonte. Poderíamos visualizar como naquele desenho do pica-pau, do cheiro em forma de mãos que acariciavam, só que agora é o Amor de Deus quem conquista. Esse “Cheiro” conquistador vem sobre nós porque ai da fonte que é Cristo Jesus, o Filho de Deus. Você já sentiu esse Perfume? Já foi conquistado por Ele?

Em Roma era costume, naquela época, homenagear o general vitorioso em sua volta para casa. Um desfile era realizado, era uma grande marcha triunfal. Ali era apresentado todo o exercito, os despojos (o que se toma do inimigo) e os cativos de guerra. Paulo provavelmente queria dizer que os cristãos são o Exercito do Senhor Jesus e participam da Sua vitória. Ou quem sabe o apóstolo queria dizer que somos os cativos de Cristo, conquistados pelo Cheiro do Seu Amor por nós.

Aqueles que andam segundo a vontade do Pai, que receberam a Cristo como único Senhor e Salvador de suas vidas, já desfrutam da vitória Eterna. Não por que necessariamente já vivem em um “mar de rosas”, na grande marcha triunfal, mas porque pertence a nação santa, geração eleita, povo escolhido! Você já pertence a esse grupo?

Se você pertence, e oro por isso, quero desafiá-lo a ser uma testemunha viva de Cristo. Ande segundo aquilo que agrada o coração de Deus e mostre ao mundo a Verdade que Liberta. Essa revelação é o Cheiro Suave da Salvação. Diferentemente do desenho animado, esse perfume não conduz ninguém a uma armadilha, mas ao contrário, livra da verdadeira catástrofe da perdição eterna. Vede prudentemente como andais! Seja um discípulo fiel e exale Cristo para que pessoas O conheçam e sejam salvas Ele. Essa é a vontade do Pai, que todos sejam salvos. Pense nisto.

Boa Terça

Hagton

UMBET (www.umbet.org.br)

CAMINHO ESPIRITUAL


Se tantos dizem que estão no caminho de Deus, porque a violência e injustiça continuam tão intensas? Posso lhe dar uma pista? Note como uns, nesse caminho, vão para longe de Deus. Dão as costas para Seu amor, para Sua santidade, para o perdão. Seu caminho é para a escuridão profunda da eternidade sem Deus e de uma religiosidade aparente. Outros caminham em direção ao Senhor. Os que andam em direção a Deus têm comunhão espiritual uns com os outros e com Deus porque a obra de Jesus vai purificando seus corações de todo o pecado, fazendo crescer o amor a Deus e ao próximo (Provérbios 4:18). Por favor, verifique agora em que direção você anda nesse caminho. Se você se sente mais confortável consigo e com a vida, está se afastando de Deus. Se, no entanto, a cada dia, está mais consciente das limitações, suas e dos outros, é porque brilha á sua frente a luz divina (I João 2:8). Então, perceberá que esse caminho é para Deus, este caminho é o próprio Jesus quem vai com você. Isso é salvação e santificação!


http://www.umbet.org.br/

20 de novembro



SOLDADO DESCONHECIDO E O DEUS REVELADO



Dia 20 de novembro é o dia do Soldado Desconhecido.
Aquele soldado que deu a vida pelo seu país, mas não
teve o seu corpo encontrado e identificado. Foi para a
guerra, mas não voltou. Ninguém sabe as circunstâncias
da sua morte na guerra. Não pôde receber o devido
reconhecimento da própria pátria. Soldados assim recebem
homenagens nesse dia.

Nesse tempo em que exige-se reconhecimento pelos mínimos
esforços e pelas mínimas virtudes, temos o testemunho do
soldado desconhecido. Deu tudo e morreu no cumprimento
do dever e somente Deus sabe onde está e quem ele é.

Hoje, fala-se muito em Deus, mas Ele permanece desconhecido
para muitos. Seu caráter, Seus planos, Seus conselhos.
Ele revelou-se a nós em Cristo Jesus. Este é Deus conosco.
É Jesus quem revela esse Deus desconhecido, embora muito falado.
Não precisamos levantar um altar a um deus desconhecido como na
antiguidade. Em Cristo Jesus temos um Deus acessível a todos
que O buscam com sinceridade.

Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo desejam nos incluir
nessa comunhão eterna do único Deus. Nesse relacionamento
tornamo-nos verdadeiramente humanos. Preste atenção em
Jesus descrito na Bíblia e terá nova visão de Deus.


Deus abençõe voçê!!!




http://www.umbet.org.br

JEJUM BÍBLICO – TUDO SOBRE JEJUM

Pois bem, segundo o dicionário Aurélio jejum é: “Abstinência ou abstenção total ou parcial de alimentação em determinados dias, por penitência ou prescrição religiosa ou médica.”

Em toda a bíblia existem citações a respeito do jejum. No antigo testamento (lei de Moisés), por exemplo, existia um dia na semana destinado para o jejum: Dia da Expiação (leia: Lv. 23.27), que ficou conhecido como o dia do jejum. Porem no novo testamento não há ordem a para que nós jejuássemos. Porem existe muitas citações sobre o jejum.

O fato de não existir ordens diretas a respeito do jejum, não quer dizer que não devamos jejuar. O próprio Jesus nos instrui quanto ao jejum: “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” (Mt. 6.16-18.)

O que Jesus quer dizer através destas palavras é que nós não devemos jejuar para nos mostramos diante de outras pessoas, o nosso jejum é uma maneira de nos aproximarmos de Deus, o jejum promove o estado de comunhão com Deus, liberando assim o Espírito Santo (que é responsável pelo nosso contato com Deus) a agir no homem interior. Leia (RM 8.13)

O fato de Jesus dizer que o jejum deve ser em secreto também não quer dizer que não possamos comentar que estamos em jejum ou que fizemos um jejum, porque se assim fosse como saberíamos que Jesus jejuou no deserto? O importante é que o objetivo do nosso jejum não seja para nos “aparecer”diante de outras pessoas, como faziam os fariseus (Lc 18.12).

Todas as vezes que a Bíblia relata um jejum, a pessoas o faziam com um propósito.

Alguns propósitos do jejum são:

No velho testamento:

  • Consagração – (Nm. 6.3,4).
  • Arrependimento de pecados – (1Sm. 7.6).
  • Luto – (2Sm. 1.12 e 3.35).
  • Aflições – (2Sm. 12.16-23) e (2Cr. 20.3).
  • Buscando proteção – (Ed. 8.21-23) e (Et. 4.16).
  • Em situações de enfermidade – (Sl. 35.13).
  • Intercessão – (Dn. 9.3, 10.2,3)

No novo testamento:

  • Preparação para a batalha espiritual – (Mt. 17.21).
  • Estar com o Senhor – (Lc. 2.37).
  • Preparar-se para o ministério – (Lc. 4.1,2).

Em Atos dos Apóstolos vemos a Igreja praticando o jejum em diversas situações, tais como:

  • Ministrar ao Senhor - (At.13:2).
  • Enviar ministérios – (At. 13.3).
  • Estabelecer presbíteros – (At. 14.23).

Nas Epístolas só encontramos menções, de Paulo ter jejuado (2Co. 6.3-5; 11.23-27).

A Bíblia também relata três maneiras de jejum.

a) Jejum PARCIAL. O jejum parcial se dá a abstinência de parte de sua alimentação, como por exemplo, deixar de almoçar, ou de tomar café da manha, ou mesmo de comer carne, tomar refrigerante ou etc. O importante que se abstenha de algo que seja parte constante de sua alimentação. Se você se abstiver de algo que você coma esporadicamente como, por exemplo, doce não é considerando um jejum (bíblico).

Podemos encontra um exemplo de jejum parcial no livro de Daniel: “Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que se passaram as três semanas.” (Dn. 10.2,3.)

Nesta passagem Daniel relata ter deixado de comer apenas carne e manjar desejável, e não tomou vinho. Provavelmente Daniel fez um regime à base de frutas e legumes.

Geralmente este tipo de jejum tem uma durabilidade maior, como pro exemplo Daniel que jejuou três semanas (21 dias).

b) Jejum NORMAL. Este tipo de jejum se dá a abstinência total de comida, que é o mais praticado. Durante este jejum não se come nada em um período pré-determinado, porem se bebe água. Este foi o tipo de jejum que Jesus praticou no deserto durante 40 dias. Na bíblia não há relatos que Jesus tenha bebido água, o que seria humanamente impossível, principalmente no deserto. Quando Jesus terminou os 40 dias de jejum ele teve FOME. “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.” (Mt. 4.2.)

c) Jejum TOTAL. Este tipo de jejum se dá a abstinência total de comida e água. Na bíblia existem poucas menções a respeito deste tipo de jejum o que não ultrapassa o limite de 3 dias (a não ser o de Moisés e Elias numa condição diferente que explicaremos adiante). Devemos nos lembrar que o objetivo do jejum é mortificação dos desejos da carne e não a morte do nosso corpo, que é totalmente dependente de água. O melhor exemplo bíblico deste tipo de jejum é o de Ester: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.” (Et. 4.16). Paulo também praticou este tipo de jejum: “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.” (At. 9.9).

A Medicina adverte que ficar sem beber água durante um período maior que 3 dias são nocivos a nossa saúde.

A duração do jejum

A Bíblia não determina uma duração exata do jejum. Porem existe algumas citações de determinados tipos de jejuns, com o mesmo propósito que tinha uma duração comum de tempo.

1 dia – O jejum do Dia da Expiação.
3 dias – O jejum de Ester (Et. 4.16) e o de Paulo (At. 9.9).
7 dias – Jejum por luto pela morte de Saul (1Sm. 31.13).
14 dias – Jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio (At. 27.33).
21 dias – O jejum de Daniel em favor de Jerusalém (Dn. 10.3).
40 dias – O jejum do Senhor Jesus no deserto (Lc. 4.1,2).

Obs.: Os jejuns que Moisés (Ex. 34.2) e Elias (2Re. 19) fizeram duram 40 dias e foram jejum do tipo total, sem beber água. Foi sob uma direção de DEUS em situação sobrenatural, caso o contrario seus corpos não teriam suportado a desidratação.

Depois de verificarmos como a bíblia trata o jejum, quais são as formas de praticar um jejum e para quais propósitos eles eram praticados?

Vamos ver o que não pode faltar em um jejum.

Todas a vezes que a bíblia relata a pratica do jejum, as pessoas agiam de maneira diferente da sua rotina, por exemplo Davi se cobria com sacos e cinzas, Daniel orava constantemente e assim por diante.

Listadas a baixo estão algumas coisas que não devem faltar em um jejum:

A) Leitura da Palavra - Leitura da palavra de Deus é um fator muito importante no jejum, pois quando estamos em jejum nosso espírito está mais ligado ao Espírito Santo, o que nos ajudará a compreender muito mais a palavra de Deus.

B) Oração - Não existe jejum sem oração. A oração é maneira que temos de nos comunicarmos com Deus, é essencial que ao começarmos um jejum façamos uma oração em que estabelecemos os nossos propósitos com o jejum, e ao final no jejum oramos para entregar o sacrifício a Deus. Porem não são só nestes momentos que devemos orar, mais sim durante todo o jejum. Lembro que a oração não é necessariamente com nossos joelhos dobrados pode ser, enquanto caminhamos, dirigimos, estudamos e etc. Sempre há tempo de condições para conversamos com Deus.

C) Estar em Espírito - É viver com a mente voltada para os céus, ligado nas coisas espirituais. É uma condição de vida para todos os Servos do Senhor, em tempos de jejum ou não.

“Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Sl 51.17

Jejum é compromisso que fazemos, e se decidimos fazê-lo devemos honrá-lo. Será indispensável que levemos o jejum a sério. Tudo que façamos, façamos para DEUS. (Rm 14.6-9)

Referências:
Compreendendo o Jejum (Subirá, Luciano);
Jejum, uma Bênção (Oliveira, Elias R. de)
Bíblia Sagrada (Santo, Espírito)

Que Deus faça resplandecer a glória Dele na sua vida. Shalom!

Pr Júnior Silva / Pra Laura Valéria
Presidente do MBA

Vinda avisada



19 de novembro

LEITURA BÍBLICA

Joel 3.17-21 Eis que venho em breve! (Ap 22.7) Gostamos muito quando alguém nos anuncia sua visita, especialmente se vem de longe. Então temos tempo para arrumar a casa, fazer algumas compras e preparar um ambiente aprazível para a visita. Mas como seria se nos avisasse três vezes? Não seria demais, desnecessário? Jesus nos avisou várias vezes durante sua jornada na terra que voltaria. E para encerrar as profecias do Apocalipse, no último capítulo declara três vezes que virá em breve. Não demoraria, mas não marca o dia nem a hora. Séculos antes de Cristo, o profeta Joel, da nossa leitura, e vários outros servos de Deus no Antigo Testamento predisseram a vinda do dia do Senhor em que julgará as nações rebeldes e abençoará o povo de Deus. Em suma, as profecias apontaram tanto para a primeira vinda de Cristo como para a segunda. Na primeira, Cristo tornou-se homem, morreu e ressuscitou, subiu ao Pai e enviou o Espírito Santo. Na segunda virá julgar este mundo na grande consumação dos séculos. A maior alegria para Jesus será sua volta para dar a salvação eterna a todos os que nele creram. Não é de admirar, então, que por três vezes assinalou que em breve virá. Assim deu o toque final ao seu plano revelado, alertando os pecadores mais uma vez e assegurando aos salvos que a qualquer hora viria buscá-los. E se parecer que se passaram muitos anos sem Cristo ter vindo, lembremos: “O Senhor não demora em cumprir sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9). Você está preparado para o dia do Senhor? Com paciência ele espera que o aceite como Salvador, para gozar a eternidade com ele e para não sofrer eternamente com os demais que adiaram sua decisão. Se é cristão, viva a mostrar que “nossa cidadania... está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). - TL Não espere até Jesus voltar. Viva com ele desde já.

http://www.transmundial.com.br

Doando-se a Deus


Doando-se a Deus

Há uma relação entre o amor e a entrega de vida. Não me esquecerei do dia em que Deus me deu um novo entendimento sobre este nível de compromisso e resposta de amor a Ele. Foi em Roma, no dia 16 de Agosto de 2003, cerca de 13:30h. Parei em frente a Piazza di Spagna com minha esposa Kelly, e a pastora Roselen, de Milão, que nos ciceroneava, e viajei no tempo e na história imaginando os crentes que Nero queimou para iluminar aquela praça e escadarias. E não pude evitar: chorei. Chorei silenciosamente imaginando não apenas a dor do tipo de morte que provaram, mas a tristeza da separação provada pelas famílias dos mártires, e como a Igreja de Cristo foi edificada com o sangue de muitos santos que se doaram à causa do Evangelho sem reservas.

A geração de nossos dias ainda não entende esta dimensão de compromisso; nem tampouco a nobreza destes crentes. O livro de Hebreus fala de alguns dos quais este mundo não era digno. Foi assim que me senti naquele dia, com a certeza de que o mundo jamais entenderia a atitude destes santos, e que não sabíamos corresponder com dignidade ante a nobreza de sua entrega. Minha vontade era de gritar para todo mundo que eles não entendiam o que aconteceu ali. Que em vez de estarem rindo ou conversando, deveriam renovar seus votos de consagração a Deus, se é que já haviam se consagrado a Ele.


Sempre imaginei que não seria difícil morrer por Jesus, uma vez que o crente não tem medo da morte. Na verdade, sempre brinco citando um pregador que ouvi certa vez: “o crente não morre, é promovido e transferido. Deixa de trabalhar na filial e vai lá para a matriz, e ainda fica mais perto do patrão”! Porém, neste dia, ali nas escadarias da Praça de Espanha, visualizei algo que nunca percebera. Imaginei a dor da separação familiar. Pensei em meus filhos, Israel e Lissa, então com cinco e dois anos, respectivamente. Eles não nos acompanharam nesta viagem, estavam no Brasil, na casa de meus sogros.


O que seria morrer numa hora como aquela? Como seria ter que partir sem poder se despedir? Qual a minha atitude se tivesse que morrer por amor a Cristo sem poder encaminhá-los na vida, prover suas necessidades, ou providenciar quem os dirigisse?


Foi ali que percebi, não meramente por uma conclusão racional e lógica, mas por uma revelação interior, que era preciso muita fé e entrega para se deixar martirizar. Não era só uma questão de atravessar o “portal” para a vida eterna. Talvez esta fosse a parte mais simples. Era preciso muito fé para largar tudo para trás.


E o interessante era a forma como estes mártires partiam. A história registra que muitos cristãos morriam cantando. Isto mesmo, louvando até o fim! Algumas vezes, quando alguns já não agüentavam a dor e o calor das chamas se aproximando do corpo, e passava a gritar, outro crente continuava o cântico onde havia o anterior havia parado. Andei por aquelas escadarias todas, e com uma profunda dor no coração pedi ao Espírito Santo que me ensinasse mais sobre entrega. E renovei cada oração e voto de consagração de minha vida que já fizera um dia ao Senhor.


Também tive o privilégio de conhecer o Coliseu nesta nossa passagem pela Itália, e ali também se tem os mesmos relatos de mortes honrosas dos crentes primitivos. Muitos deles louvavam ao Senhor enquanto aguardavam serem devorados pelos leões. Isto é que é entrega! Isto é que é amor!


Demorei a entender, mas o fato é que Deus não pede a nossa vida, e sim a disposição de perdê-la por amor a Ele. A primeira geração de crentes agiu assim e deveríamos seguir seu exemplo. Atualmente, a Igreja de modo geral não demonstra este nível de compromisso, mas muita coisa está para mudar. O Espírito de Deus há de levantar uma nova geração tomada de paixão e entrega por Jesus, e ela o servirá até as últimas consequências. A relação entre amor e entrega de vida é algo claramente visto nas páginas das Escrituras:


Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. (Romanos 5.6-8)


O amor de Deus ficou provado no fato de que Cristo morreu por nós. Esta relação de assuntos é vista não apenas quando se trata do que Jesus fez por nós, mas também do que devemos fazer por ele e pelos irmãos:


Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”. (1 João 3.16)


Enquanto não nos dispomos a doar nossas vidas para e pelo Senhor ainda não o amamos como devemos. Somos chamados a demonstrar nosso amor ao Senhor mediante a decisão de morte e rendição completa. O amor de Cristo o levou a morrer por nós, e Deus espera que possamos corresponder à altura de seu investimento em nossas vidas:


Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. (2 Coríntios 5.14,15)


O entendimento do amor e entrega de Cristo devem produzir em nós uma resposta de amor e entrega a Ele também.


MORRER POR AMOR


A relação entre o amor ao Senhor e entrega de vida também pode ser vista nas palavras de Jesus:


Chamando a si a multidão com seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á”. (Marcos 8.34,35 – Tradução Brasileira)


Jesus deixou bem claro que para ser seu discípulo é necessário tomar a cruz. Tomar a cruz fala de morte. Nos dias de Jesus o Império Romano executava os criminosos através da crucificação. E quando a hora da morte chegava, faziam com que o condenado carregasse sua própria cruz em público, até o local onde morreria. Era uma forma de todos saberem que ele estava indo ser crucificado. Isto aconteceu com Jesus, que também teve que carregar sua cruz, embora tenha sido ajudado durante o percurso (Mt 27.32).

Portanto, ao dizer aos seus discípulos que tomassem a cruz, Cristo estava nos mostrando que temos que tomar uma decisão (pública) de nos anular e morrer para nós mesmos. Seria o mesmo que em alguns países que possuem a pena de morte dizer a alguém que tomasse sua cadeira elétrica ou injeção letal.

O Mestre deixou claro que, para poder segui-lo e ser seu discípulo, cada um teria que negar-se a si mesmo e morrer. Não se tratava de uma probabilidade, e sim de algo certo.


ACELERANDO OU RETARDANDO A ENTREGA


Todos temos que provar a morte, ou negação de nós mesmos. Se amamos ao Senhor, nos deixaremos quebrantar e morreremos para nós mesmos. Paulo declarou:


Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8.36)


Durante muito tempo achei que carregar a cruz era ter algum tipo de sofrimento imposto por Deus. Não! Tomar a sua cruz é decidir morrer para si mesmo. Quando corrigi esta mentalidade errada, ainda continuei tropeçando em outro aspecto do entendimento deste princípio; achava que os crentes que tomavam sua cruz o faziam por serem especiais, cheios de virtude ou até mesmo presenteados por Deus com uma “graça maior” para tal. E este é um engano que tem paralisado a vida espiritual de muitos!

Todos temos que tomar a cruz. E faremos isto voluntariamente ou não. Jesus disse que quem quiser ser seu discípulo tem que tomar a cruz. Não é uma opção. É uma condição que Ele estabeleceu. É uma imposição. Veja:


Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.” (Marcos 8.34,35)


Não se trata de existirem discípulos virtuosos que tomam a cruz e outros “um pouco menos espirituais” que não tomam. Quem quiser ser discípulo está assumindo este compromisso, está assinando este contrato (ainda que não tenha dado atenção às clausulas que especificam o assunto). E depois, na condição de discípulo, a cruz virá de um jeito ou de outro.


Quando eu lia que Jesus fala sobre ganhar ou perder a vida, achava que era sobre ir ao céu ou inferno que Ele estava falando. Algo como: “Quem quiser salvar sua alma indo para o céu terá que perde-la aqui na terra fugindo dos prazeres do mundo”. Mas a palavra grega usada nos originais e traduzida como salvar é “sozo”. Diferente de “sotero” (normalmente a palavra empregada para se referir à redenção dos pecados), “sozo” é uma palavra abrangente que, de acordo com a Concordância de Strong, significa:

1) salvar, manter são e salvo, resgatar do perigo ou destruição;

2) poupar alguém de sofrer (de perecer), fazer bem, curar, restaurar a saúde;

3) preservar alguém que está em perigo de destruição, salvar ou resgatar.


Ao falar sobre os que querem “salvar” suas vidas, Cristo estava se referindo àqueles que não querem tomar a sua cruz, que queriam manter-se sãos e salvos, preservando-se da destruição/morte proposta por Ele. No entanto, Jesus diz que quem tentar salvar sua vida vai perdê-la; em outras palavras: é uma tentativa inútil, perdida, pois todo discípulo acabará indo para a cruz. Mas logo em seguida ele diz que quem perder sua vida vai salvá-la. O que isto significa?


Que vamos para a cruz de qualquer jeito. Porém, quem se entrega logo, se poupa de dores, paga um preço menor. Por outro lado, quem reluta fugindo da cruz e tentando se poupar, acaba pagando mais caro, sofre mais. Acho que esta diferença pode ser vista num outro versículo, cuja aplicação ouvi numa pregação de Jack Schisler:


Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.” (Lucas 20.18)


A pedra, no contexto do versículo, é Jesus. Quem se permitir cair n’Ele - fala de irmos a Ele - experimenta um nível de quebrantamento: é feito em pedaços. Mas aquele não se lança sobre Ele, a pedra virá sobre si - fala do Senhor vindo atrás de nós - experimenta um outro nível de quebrantamento: é reduzido a pó.


Todos temos que tomar a cruz e morrer para nós mesmos. Todos precisamos de quebrantamento. Mas o fato é que podemos acelerar ou retardar o processo. ou tomamos logo a cruz e nos dispomos a morrer, ou deixamos para depois e pagaremos mais, caro. observemos o texto inteiro para enxergarmos os detalhes deste ensino:


Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma? Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos. Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.” (Marcos 8.34-38 e 9.1)


Dentro do que o Mestre falou aos seus discípulos neste texto, ele expôs uma verdade que precisa ser relacionada com esta questão de entrega de vida e nossa participação em acelerar ou retardar este processo. No versículo 1 do capítulo 9 (que é uma extensão inseparável do texto) Ele falou sobre alguns não morrerem antes de verem sua vinda (o reino chegado com poder - que vem com Ele em sua vinda). Sua colocação está no plural, o que indica que isto estava disponível a mais de um de seus discípulos. E esta afirmação é uma chave que nos ajuda a entender algo que aconteceu com os apóstolos...


A DIFERENÇA DE JOÃO


Ao estudarmos sobre amor ao Senhor, não podemos deixar de destacar o apóstolo João, aquele que foi chamado de o discípulo a quem Jesus amava. Durante um tempo em minha vida, senti um ciúme velado, que não admitia, pelo apóstolo João...


Por que ele era o queridinho do Mestre? Por que ele foi o único apóstolo não-martirizado? Por que foi-lhe entregue o cuidado da família de Jesus? Por que ele foi o único a receber as gloriosas visões do fim dos tempos?


Porque aquela palavra dada por Jesus em Mc 9.1 se cumpriu na vida dele! Veja bem, quando Jesus foi preso no jardim do Getsêmani, todos fugiram (Mt 26.51). Cumpriu-se a Escritura: “Ferirei o pastor e o rebanho se dispersará”. Contudo, o evangelho de João nos mostra que, ainda que à distância, os únicos que seguiram a Jesus foram João e Pedro, e a diferença entre um e outro foi a de que João não escondeu o fato de ser discípulo de Jesus e Pedro sim:


E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote. E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote e falou à porteira, levando Pedro para dentro. Então, a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou.” (João 18.15-17)


Como João era conhecido do Sumo-Sacerdote, já entrou identificado como discípulo de Cristo. E foi justamente por saberem a respeito de João que perguntaram a Pedro: “Não és tu também dos discípulos deste homem”? A palavra “também” deixa claro que João já havia sido identificado como seguidor de Jesus. Porém Pedro negou ser discípulo de Cristo. Por que? Provavelmente pelo medo de ser preso e executado com seu mestre.


Na hora da crucificação a maioria dos discípulos permaneceu à distância (Mt 2.55,56), provavelmente sustentando o mesmo medo; o único dos doze apóstolos que é claramente mencionado estando perto da cruz é João:


E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ora, Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” (João 19.25-27)


João foi o único que nunca deixou de estar ao lado de Jesus, tanto no Sinédrio, por ocasião da prisão e julgamento do Senhor, como na hora da crucificação. Ele foi o único que não tentou “salvar sua vida”. Se expôs como discípulo de Cristo o tempo todo, como se estivesse declarando:


- Eu sou seguidor de Jesus e estou aqui. Se for preciso ser preso, sofrer e até mesmo morrer junto com Ele, estou disposto a isto!


Creio que João foi o único apóstolo que não foi martirizado por uma só razão: quando todos fugiram e permaneceram à distância (ou até mesmo negaram a Jesus), ele foi o único que se dispôs a morrer. E ainda que não tenha sido morto, sua real disposição de ir até ao fim por Jesus foi aceita por Deus como uma oferta de vida. à semelhança de Abraão, no sacrifício de Isaque, a vida não precisou ser perdida para ser considerada como oferta.


Isto fica bem evidente na conversa de Jesus com Pedro, pois depois que o Senhor lhe falou acerca de sua morte (e ele sabia que só teria uma segunda chance por ter desperdiçado a primeira), Pedro, ao perceber que João estava próximo, pergunta sobre a morte de João (que, diferente de Pedro, não havia desperdiçado sua oportunidade):


E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Este é o discípulo que testifica dessas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.” (João 21.20-24)


Acho este relato divertido, pois Pedro espalhou uma informação equivocada, dizendo que João não morreria. Sabemos que foi ele pois só estavam os três por lá. Jesus foi assunto ao céu e sabia o que quis dizer com sua afirmação. João está explicando que a informação foi mal-entendida, portanto só sobrou Pedro como culpado de espalhar a informação errada.


O apóstolo João explicou que o enfoque da informação do Mestre foi a de que ele ficaria até que Jesus viesse! E, velho e cheio de dias, quando todos os demais apóstolos já sido martirizados, ele provou o cumprimento desta promessa em seu exílio na Ilha de Patmos, onde recebeu as gloriosas visões do Apocalipse e assistiu, de antemão, tudo o que ocorrerá por ocasião da vinda de Jesus, cumprindo-se então o que o Senhor havia declarado ao seus discípulos de que alguns não morreriam sem antes ver chegado o reino de Deus com poder (Mc 9.1).


Este entendimento me ajudou em questões práticas.


Primeiro, ficou claro para mim que Jesus nunca fez distinção alguma entre João e seus discípulos. Ele nunca deitou no peito de João; este é que reclinava sua cabeça no peito de Jesus. O Senhor nunca nos trata de forma diferente, mas aceita que o tratemos de modo diferenciado!


Segundo, João não deixou de ser martirizado e recebeu as visões do Apocalipse por ser mais amado do que outros, mas por ter praticado princípios. Todos os outros poderiam ter vivido o que ele viveu se tivessem agido como João agiu.


Quando Jesus pede que tomemos a cruz (o compromisso público da morte), não quer nos privar de viver; tanto que quem se dispõe logo a entregar sua vida vai salva-la. Mas se não nos entregamos logo em amor acabaremos tornando o preço mais caro do que precisava ser.


Pare de lutar, coloque sua vida no altar de Deus. Tome sua cruz. Isto vai acontecer por bem ou por mal, a decisão é sua e o preço a ser pago é a consequência de sua decisão. Que o Senhor nos ajude a entender a entrega de vida e expressar nosso amor a Ele desta forma!



Autor: Luciano P. Subirá

Related Posts with Thumbnails

Back to Home Back to Top Karina Munari. Theme ligneous by pure-essence.net. Bloggerized by Chica Blogger.